28 de fevereiro de 2013

Aenema: Nada é mais que Morte.Nada sou mais do que eu,na...

Aenema: Nada é mais que Morte.
Nada sou mais do que eu,
na...
: Nada é mais que Morte. Nada sou mais do que eu, nada fui, nem serei senão eu, agora. Além disso há morte. O nada que sou de nada vale ser se.
Yuri,
a passagem por esta vida, apenas e só é a prepação para a/as novas vidas! Acredites ou não! Vive em pleno, vive o pleno.............Escreve sempre!!! Grande abraço Margarida

20 de abril de 2011

UM APETECE



Apetece-me pensar que não me apetece partir já. Apetece-me pensar que me apetece é sorrir, já, agora! Depois, talvez e pelo menos um dia!

Será mesmo que este apetece consegue decifrar um pequeno código guardado num toucador com cheiro a talismã?!

Apetece-me pensar que o cair da lua arrefece o conter das lágrimas, e que não vai doer, não vai moer mais o desejo de ser feliz!

Apetece-me mesmo é chorar, e choro mesmo neste momento, sem desejo de parar.

Apetece-me encher o mar, atravessar olhares mas sem cruzar no teu, pois faz-me doer!

Aceita uma lágrima, aperta-a, vais ver que se dissolve e nem dá para beber. Se a lambes, se a sorves, se te ocupas a embeber algodão de neve...

Que te apetece então?!...

Apetece-me apenas tocar na brisa que abana o meu pulso.

Apetece-me chamar o som com que te reclamo a chama resgatada dum certo espectáculo que abafou a energia esgotada, porque afinal me apetece ficar um pouco, um pouco mais, um pouco sózinha, um pouco na cozinha.

Pois sim, porque me apetece beber a sina em redor, trocar de lágrima, pousar a camisa e correr para o parque, porque sim é isso mesmo que me apetece!

DEUSA DO LEME

O corpo de homem dançava, torcia, distorcia movimentos.
O coro, claro, eram corpos femininos, claro. Existem muitas mais fêmeas na verdade verdadeira masculina, mexem-se melhor em bando claro!
O corpo agora rodopiava, em parafuso, oscilava os membros fortes, afagava o horizonte, limpando o organismo, e aumentava o som da escala esférica da sua excitação. Procurava o coro, agitava o odor mecânico que ardia na fuga de óleo com ar de lamparina.
E o coro?!
Passou a soro, apagou o choro, virou estofo e claro o homem apontou o leme, e geme, claro!
As fêmeas são muitas! Claro! Entontece!!!

7 de abril de 2011

TEATRO AO VIVO

Manhã submersa coberta de gotas espalhadas em redor duma aflição inédita sem salvação! A estrada corria, despertava, furava o truque das sombras, das ondas, que esvoaçavam e esboçavam sorrisos. Atenta ao compasso do dia, estendia-me ao largo de camas de luz de laços soltos e espandia-me num abraço alargado em nocturnos pensativos! Deleitava-me o abrir, o fechar dos jactos de espuma que saborasamnete me adoçavam a boca... Alongava o espírito, tentando recorrer a estimativas dignas de razão, e nem pensava que afinal existias! Num simples relâmpago chamaste-me, beijaste-me e ofereceste o início dum percurso que se pretende... Senti-te, quis-te mas não te pedi, apenas prometi-te... Algures, um brilho sorriu, e o pano caíu!

STRAWBERRY FIELDS

No lavar dos cestos já só penso em ti já só acredito em algo, que te prometi, já só pretendo espreitar as manhãs solarengas que me aperfeiçoam estímulos e dilúvios de camas destapadas que esperam por ti! Como será pertencer a uma camada de chantilly capaz de trespassar e morder o morango vivaz e ousado, que transplantei do vaso para um prado definido e despido, testado sómente em laboratório! Frasco aberto de sede impune que exala odores perseguidos por caudas brilhantes de crarências e carícias... Será mesmo que o palhaço perdeu os sapatos? Ou será mesmo que me transtornou?!

17 de março de 2011

TREM

Se as dores nas costas matassem
afortunada seria eu!
O sossego pairava,
e a constelação do sofrimento
caíria em redor
dum monte de vidros
repletos de história!
Sinto-me instalada
num prometer vago
de ilusões permanentes e permentes.
O vazio decadente
apagou o fino traço
de luzes postadas
num écran dilacerado,
por turbulências inesperadas
de contactos rudimentares!
O descanso avizinha-se,
permito-me vagas translúcidas
de vagos momentos
que apesar do turbulento confuso,
transformaram-se nas minhas memórias,
com, ou sem história.
Depressa, o tempo escapa,
mas lento, suaviza o lugar,
ocupa o transistor
e embala uma sonolência inexplicável
de quem quer morrer!
Sobrevoo, escorregando na dianteira
dum caminho aberto deixado por um Deus
que me apeteceu seguir...
Ficou lá ao fundo do outro lado
a espuma dum champagne medíocre
esfalfado do sonar
dum submarino delinquente que encalhou...
Delicadamente agora,
neste momento passo as mãos por mim,
deslizando sobre o vapor longíquo e tímido,
e esqueço, não sei relembrar!
Apenas o estudo fica, firme e forte
como o aplauso revigorante
que aguenta a máscara,
me prepara, me ampara
o sulco profundo da aceitação plena,
de um banho de mangueira!

25 de fevereiro de 2011

SEI PENSAR

Espelho de água
sucesso iminente
de progresso
sacudindo
em prosas revoltas
de linhas pregadas
em plataformas definidas.
Sei amar,
sei pensar,
sei continuar,
sem perturbar
definindo
estratégias duplas
de cumplicidade.
Não perco,
sim encontro
no meio
do estardalhaço
o projecto afinado
em rama verde
pois o início começa,
e a oportunidade
de desenvolver
caracteristicas diversas
de pensamentos
de segmentos
apresenta-se idóneo.
Abomino o corrupto,
o delambido
o desinteressado,
acuso o rasca
com ou sem rasta.
Aproveito a nesga deixada
num fechar
duma janela,
e a definição
da minha situação
apresenta-se
clara, extensa.
Distrai-me
o bater da porta
o ranger do móvel,
da escada
que parte,
e afunila
o gosto desejado por mim.
É justo saber,
é justo querer
e negar
e irradicar soluços
sem preço,
sem terço...

17 de fevereiro de 2011

NINA

Ouvi
os cabelos a ranger
quebravam-se
soltos
e irritantes
Nina gritou!
A tv calou-se
o posto mudou-se
tudo
se transportava
com
som
de moléstia
generalizada
Nina pensou!
Cavou
repensou
Nina sorriu!
Fugiu
os cabelos soltos
colaram-se
no novo rosto
Nina suspirou!
E ousou estalar
os dedos
Nina captou!
Nina estalou!

MARINA


O vento
aquietou a chama veloz
dum sorriso tardio
dum abrigo sentido
de carinho fogoso.
Solta-se
a luz
que brada
e encalha
num labirinto
de escapadas fechadas.
Algures
em ti
procurei
mas
não sei
nem
ensaiei
o porquê
nem
estabeleci meta
apenas
usei
a seta certeira.
Acerto
desacerto
e acerto de novo!
O teu compasso
é largo
como
o lago que percorres
onde
não há margem
e o pagem
devaneia.
Apenas
o teu olhar
se reflete
no meu colar
resplandece
o sonho
a brisa
limita
o afagar
e a constelação vibrante
sorri
ao ver partir
a desilusão inútil
inexistente
no pronúncio
desta união...

UM BEIJO


Beijo
quando é sentido
como
é perfeito.
Beijo
agradável
afável
pleno
de desejo de amar.
Beijo
de amor
feito
de calor
isento
de dor
onde
o amor
encaixa no calhar.
Beijo
de paixão
ardente
com forma
de estrela cadente
que espera
ciente
sómente
e docemente
poisa
no prazer
da sedução...

UM PEQUENO PONEI

Um pequeno pónei
desenhava
Bambina
caminhava
sorvendo
o cheiro quente a mosto
que rolava indiferente
aos seus pés.
Bambina
olhava
olhava para o trigal
e doseava
a mente crente
vidente
deixando deslaçar
os fios
que lhe pendiam.
Um pequeno pónei
desenhava
o lustro
era puxado aos metais
o arreio
o arresto
brilhava.
Bambina
saltava
apanhava o espaço
cobrindo
o retrato afinado
da sombra
do pequeno pónei
que desenhava.

15 de fevereiro de 2011

MÃE

Mãe
que que sabe a som
que toca
no espaço vazio
deixado por ti
que sossega
o cometa
quando o cheiro
do planeta
sabe
a explosão.
Que dança
a música
conforme o tom.
Crista vermelha
com asa de flauta
que sai da pauta
e procura o riso.
Castigo
de quem fica na fila
e agarra
o mito
imposto
que é imposto
que soletra
a colheita
do meu vinho.
Que ultrapassa
qualquer fisga
em velocidade tardia
de laivos de sol
que fecunda
a vida
e deixa
rasto de pavio aceso
de alegria!

ESPALHAR IMAGINAÇÃO

Se um dia
procurei imaginação
encontrei a sensação divertida
de dialogar
com torneiras!
Aprendi
relatei
e constatei
que existe
loucura afortunada
adicionada
algures
no terno buraquito
enfeitiçado
do meu amontoado
nevral.
Rio
com a imaginação
trato-a
por irmão
sem ilusão
sem permissão
pois
não existe
realidade
nem obstinação
nem prevenção
contra
estigmas elaborados
no orifício constante
da minha perdição!
Alongo-me
por vezes
em conversas
de alquimia
e feitiçaria
tratadas
por monstros
de rosto guardado!
Quem sabe?!
Mas tu
encontras
tu
perguntas
e tu
sabes
acolher
o raio radioso
de alguém
como eu
que
substitui
a imaginação!


13 de fevereiro de 2011

QUAL VIDA


A vida
não perdoa
nada
é suficiente
tento
que não seja
insipiente.
A vida
ensina
a vida
transmite
testemunhos
conjuntos dispersos
embalados
prontos
a utilizar.
A vida
é para ser
utilizada
para resgatar
as sobras
amanhecidas
em horários acabados.
E a vida
mata
rasga
sufoca
e adormece
sem
amanhecer
sem
transparecer
o bater esquecido
perdido algures
num canto
sem
canto
do encanto
da tua vida!

A VISÃO DO CORAÇÃO


O musgo
caminhava ao sabor
da estrada
torneando
o relance
com cheiro
a romance.
Ramos abraçavam
copas de árvores
esgotadas
e translúcidas,
apertam
a opinião
de algum coração.
Flores
espreguiçavam-se
conversavam
e comandavam
o escoar
da visão.
A vida para,
escuta,
o minúsculo sortudo
duende
que airosamente
encanta
o abrir
deste meu coração!

REALIDADE ASSUMIDA

Na consciência
da permanência
protegeu-me
um prego!
Um furo obtuso
estrangulado
e delambido
que me fez
permanecer consciente
na fronteira
da rebeldia!

O SONHO DO FIO

As mãos
trocaram-se
andaram
à procura,
encontraram o fio
que não
estava desligado,
foi possível
o retorno,
o confronto
de confusões confusas
que agitaram
o desconhecido momento
em que se deu por isso,
e foi possível
trautear
a aba do casaco
apertar
com a boneca de estimação.
As mãos abraçaram-se,
aproveitaram
o som do fio,
a linha vadia
de decisões por decifrar
e as mãos
encontraram-se
e o fio...sonhou!

PALAVRAS


Um pequeno prazer
um pequeno deleite
um abraço
um sorriso
esponja
por beber
por saber resplandecer
encontro
em ti vida aberta
estrada fogosa
o sucesso inerente
de buscar
o infinito.

9 de fevereiro de 2011

FRONTEIRAS

Acabou
a passagem
torna-se simples
e rápida.
Será melhor esperar!
Será melhor escutar!
Será mesmo
é substituir subtracções
de espantos
deixados
num recanto
onde
a apanha da uva
é tardia
e o esvaziar
dos corpos
termina ao entardecer.
Renego o sossego
o esperar
o escutar
apetece-me
ser leito sem freio
que perdoa
que ecoa
dando
a transformação permissível
de alguém
que sublimou
o retardar
de opções feitas
em determinadas ocasiões.

LÁ FORA



Lá fora
o caminho esperava
tinha saudades
de o rever
para restabelecer
de novo
o instantâneo
simulado
no meu desejo.
Como
te desejo
como
me apetece
agarrar o abraço
de momentos
já perdidos.
Reconquistar
portas exigentes
com gosto
a fortunas existentes
que um dia
escaparam
da evasão
dum trotear
de uma suave canção.
E revi-te
e agarrei-te
abracei-te e amei-te
sem me render
ao vender
de agonias dispersas.
Querer saborear
o delicado surgir
de capotas destapadas
ávidas de expressão
de conecção
em que
a opção
é resguardar
o suposto limite
esvaziando o leme
da rotação
da esfera amilar
que roda
em torno
dum fio
amado por mim
até ao fim.

O SOM

Acordei
o acordar
senti-me bem
esquecendo
o retardar
do dilúvio.
Mãe negra
estalava
o som
em canções
que
me adoçavam
a mente.
A preguiça descia
lentamente
pelo meu corpo
abrindo
os receios.
Não havia dor
e o som
ecoava forte
através
da transparência
decifrada
durante o sono.
Abracei-te
deixando
que o meu calor
te afagasse
o momento
do desejo
e envolta
em momentos
decifrei códigos
e aconteceu o momento
o pleno.
As taças
propagavam o som
que delicadamente
desbloqueava os nossos seres
e o abraço
abraçava unindo
despertando
ousando
o manifesto desejado
por alguém
que eu amo
numa dimensão molecular
celular
em que o momento
acontece
e permitiu sentir-te
conhecer-te
e afirmar-me
num lustre iluminado
em que
o teu olhar
a tua presença
se tornou permanente.




6 de fevereiro de 2011

EXPERIÊNCIAS

Experiências diferentes
experiências
exigentes,
sorventes
de beber
o sorriso
fervente
e
eloquente!
Experiências
necessárias,
ousadas
plenas de regalias sentidas
que
permitem
o equilíbrio
desejado
entre
a
exigência
e
a experiência...

ESCREVO-TE


Escrevo-te

mesmo sabendo

que o retorno

será

dependendo

da tua simpatia,

da tua alegria.

Mas

apetece-me

escrever-te,

dizer-te,

procurar

o raciocínio correcto

para te dizer,

para

te explicar

o

quanto sonho

envolta

na melancolia

distraída

de apenas

uma garota divertida...

PULGA RESIDENTE

No lado
bom
do meu coração
existe
uma pulga.
É uma pulga
diferente,
resistente,
com uma ligeira deficiência,
mas linda...
Cheia de charme,
agarra a vida,
agarra o sorriso,
que espreita
debaixo
de sorrisos atrapalhados...
Desenvolve-se
ao sabor do vento
seguindo
a rota do elefante.
Não quer ver,
nem ouvir,
nem falar...
Acomoda-se
tranquila
numa caixa de tartaruga,
corre a esteira,
desenrola
o mapa,
estuda
o brilho de fugas repentinas,
vedadas,
seladas,
num
código permanente
de alegrias!

24 de janeiro de 2011

ALI


Ali
permite-se
ali
as princesas
não
choram
nem
ralham
apenas suspirarm
apenas murmuram
através
das cinzas.
É terra
de ninguém
é terra
de alguém
que suportou
a carga
e
reagiu
e
partiu
e
conseguiu
que
o enxame
de mariposas
atravessasse
o bater
da
alma
da
minha princesa.

22 de janeiro de 2011

IMAGEM


Sentir

os teus lábios

permitir

o abrigo sentido

balançar

desamparada

nos teus braços

caindo

ao de leve

no ocaso

que acolhe

o despedir

de alguém que brilhou

no desafio.

Esperar

a hora

que espera

o realizar

dum bater de brilhos

que ofuscam

a memória.

Lá fora

a glória

ultrapassou a história

e rectifico

os sons

do meu relógio.

Não há

hora para o amor
sómente
o bater
dum tambor cadente
persistente
que desencandeia
a roda da volta
da liberdade suada
que magnetiza
o encarar permissível
de aproveitar
na hora
esse amor.

PECADOS

pecar
não molha
não suja
nem torce
pecar
aperta
supera
espande
garante
o
alívio tardio
de esperanças
devolutas
recalcadas
desorientadas
dum
rumo
pervertido
de
sentidos
alheios

TERRA

Terra
que me
perguntas
questionas
e
defines
o rumo
do ritmo
das
cinzas
segura-me
na mão
puxa-me
do pontão.
Agarra-me
terra
devoluta
sortuda
que
a
luta
perdura...

19 de janeiro de 2011

SOLFEJO DE SENTIMENTOS


Sentimentos,
delícias partidas
numa bandeja,
apenas parecem
pedaços
adquiridos
em províncias tardias.
Sentimentos,
dignos
de ti,
de mim,
de nós,
para nós,
que o começo
balança,
que
agora
já avança,
e o
sentimento voa,
livre,
sem norte.
Existe
o porte,
existe
o norte,
e o
voo é distinto
preso
em almas sózinhas
capazes
de apostar
em algo
que desencandeie
o instinto...
Ofereço-te
sentimentos,
ofereço-te
momentos,
velozes
como
uma vela deslizante
na beira
dum
sossego cativante.
Doravante,
o sentimento
será
no momento
e sem
derivante...

DANÇA


Dançar
com lobos
abafar
a selva
de areia
pisar pedras
derrubar montes
e
rolar
em vales
de liberdade.
Parte
velozmente
embrenhada
em setas
despertas,
o lobo
espreita
a ave
não
espreneia,
o fogo
a lamentação
a sedução
agarra
o pano desfiado
em pleno combate.
Desfaz-se
o laço
encontrado
no acto.
O lobo
avança...
Dança, dança
com o lobo
enquanto
a ave
se esgueira!

RIMA FELIZ


Cada pétala
que cai
envolve
a
tua mão
aperta-me
o
coração
e
deixa-me
ir
de encontro
à
solução

TU ÉS TUDO


Tudo passa
tudo espalha
tudo se torna brasa
tudo perde a causa
tudo acontece
tudo apetece
tudo arrefece
tudo aperta
tudo afecta
tudo penetra
tudo afaga
o meu coração
vindo de ti
mesmo sem ti

17 de janeiro de 2011

A MOSCA

A
mosca picou-se
zuniu
e desilidiu
os presentes.
Questionaram-se!
Revoltada
a mosca
destratava
o momento
posicionando
em formas esquivas
o interior
do seu universo
sem verso!
A
mosca é maluca!
Está tonta!
Bêbeda
saltita
agora feliz
os picos
abastecem-se
de azeite
e desapertam
o cinto
espreguiçam-se
alagam
o espaço
onde
a mosca distraída
rolava-se
perdida.
O
mundo acabou
soprou o vento
sorveu-se
o resto
e o
que faltava acrescentar
aos anais
e a
mosca pulou
gritou
saudou
e
levou o poço delambido
partido
e
esquecido
onde
a rolha oca
iluminava
sómente
com um pavio.

COMO É BOM ESCREVER


Como
é a dor
sem sofrer
como é o bater
sem dor
como
é o saber
como
é o perceber
como
é o aparecer
como
dói o desgaste
o empate
que fica
surdo
dentro de nós
como
é a firmeza
para
fazer transparecer
para
receber
como
é bom escrever

CEMITERIO

Terreiro
sem adultério
fruto
do mistério
que
sobrevoa
a foz
do inicio
parcela
dum estofo
longo
em que
não existe cancela
nem
sopro
nem
folgo
surpreendentemente
com
força estridente
a terra
esvai-se
esbroa-se
para
aqueles
que
crêem
e
lêem
no
sacrifício
que
velozmente
ampara
a
vibrante delicadeza
da
mais
profunda
causa
da nossa existência

FRACÇÕES


Esqueci de sofrer
esqueci a lareira
e abracei a clareira
larguei as mãos
poisadas em ti
num recanto
onde
o sufoco não existe
existe clamor
louvor
e a dignificação
das posições
é
algo
que me passou a fascinar
estar agora
sómente
agora
estar
deixar
encantar as fadas
os sonhos
os proveitos
saborear
a cauda do véu
que rompeu
e
deslaçou vidrado
num chão
que jamais pisarei
encanto terno
solução abreviada
ou
por acaso
ou
não
consegui estar
e
estou
agradada
descansada
como um suave deslize
que embaraça
o
teu olhar